1) Sobre o paciente:
Paciente do gênero masculino, 46 anos de idade, procurou atendimento clinico devido a um mal cheiro e retenção de alimentos em área protética sobre implante. Em cima desta queixa apresentou outra insatisfação que seria em relação a parte estética do seu sorriso. Dentes gastos, amarelados sem dominância em seu sorriso.

2) Preparação e Análise:
Iniciei o caso com uma bela documentação. Percebi que poderia começar o trabalho pela parte funcional e estética, onde trabalhei no setor anterior superior e inferior anterior, primeiro devolvendo as guias de lateralidade, protrusão e melhorando uma de suas queixas que seria a parte estética, pois ao sorrir não demonstrava os dentes superiores.
Optei pelo material de resina pois é uma material plástico que nos permite acrescentar e remover volumes sem danificar qualquer tipo de estrutura dental ou protética, sendo uma modalidade operatória totalmente reversível visto que tínhamos variâncias entre largura e altura dos dentes.
Condicionei os dentes com ácido fosfórico e adesivo Ybond Universal, e na peça protegida, condicionei com ácido fluorídrico 15% por 2 minutos. Em seguida lavei com água, lavei com ácido fosfórico ativo esfregando, lavei novamente com água e em seguida, sequei bem e apliquei uma camada de Sylano, sequei com jato de ar e em seguida apliquei o Ybond Universal. Fotoativei e executei as restaurações em resina composta convencional.
Solicitei um raio-x panorâmico para observar a qualidade óssea da área implantada e fazer uma análise geral das outras entidades bucais.
Observei uma desadaptação do pilar protético sobre o implante, além de uma perda óssea em saucerização na região protética.

Visto isso, desparafusei o pilar protético e observei uma gengiva adoecida com tecido de granulação. O implante deste senhor foi implantado há 25 anos (1997). É um hexágono externo, porém não sabia qual era modelo e marca para pedir um novo pilar, pois implante e pilar não estavam se adaptando, com uma fenda de aproximadamente 1mm, o que levou ao processo de perda óssea a formação de tecido granular inflamatório.

Tendo esta situação em mãos, decidi aplicar resina composta fluida na própria peça protética do paciente afim de recondicionar o tecido gengival e afastá-lo para que pudesse enxergar a luz do implante e o hexágono externo. Condicionei a peça protética com ácido fluorídrico na área vítrea, Yzap na área metálica, Sylano no conjunto todo e adesivo Ybond. Na sequência, fotoativei, apliquei uma fina camada de Yflow com a finalidade de condicionar o perfil protético, e caprichei no polimento. Levei a peça em posição e aparafusei. Fiz isso 4x num período de 4 meses, um acréscimo por mês. Quando consegui um novo perfil protético, observei um amassamento no hexágono externo do implante. A conclusão é que este amassado no hexágono estava causando toda a desadaptação da região protética não deixando o pilar assentar adequadamente.

Fiz 6 tentativas de marcas diferentes para ver se haveria uma melhor adaptação, porém todas tentavas foram falhas.
Em um dado momento do tratamento, o paciente encontrou um documento de 25 anos trás, com as referências do implante, e então, consegui o pilar adequado. Nesta sessão, já com o pilar em mãos, fiz uma moldagem de transferência com alginato e vazei o modelo com silicone, para modelos o Scan Die, o que me permitiu uma confecção instantânea em uma única sessão de um novo provisório com uma melhor adaptação.
Para confeccionar este novo provisório utilizei Yzap, Yflow, Ybond e Allure White para mascaramento do metal do pilar.


3) Adaptação:
Instalei a nova peça protética em resina e fiz os ajustes nos demais dentes para harmonizar o setor em relação a tamanhos e larguras. Porém ainda em um raio-x com o pilar adequado, ainda percebia uma ligeira desadaptação que era devido ao amassamento do hexágono externo. Como o paciente em hipótese alguma quis remover o implante, ajustei esse amassamento com corretivo líquido, pintando a base do encaixe da prótese com ele e encaixei no implante. Ao remover a região que estava amassada se apresentou sem o corretivo líquido, então com uma broca diamantada extra fina fui até a região e removi a parte metálica amassada onde causava a desadaptação. Chequei com o raio-x e encontrei uma imagem bem mais favorável e aceitável.

Finalizei o caso todo em resina composta, e já se encontra em função por 3 anos na boca do paciente.

4) Considerações finais:
Meus sinceros agradecimentos a Yller Biomateriais que sempre me apoiou e ao professor Dr. Luiz Antonio Borelli Bastos que me deu a dica do corretivo líquido, ou melhor, “toque mágico”.

